domingo, 27 de maio de 2007

A Patativa

Tão lindo quanto a ave, não voou com asas, mas com muita imaginação. Com o mesmo canto melodioso e triste, dispensa apresentação:

Patativa do Assaré

Quadras

"Acho melhor ser amado
Sem possuir um vintém,
Do que ser muito abastado
Sem ninguém me querer bem."

"Com a luz do teu olhar
Composta de inspirações,
Poderão ressuscitar
Minhas mortas ilusões."

"Não farei o teu desejo,
Te dando versos, Maria,
Pois, em teu olhar eu vejo
Dois livros de poesia."

"A fogueira da vaidade
Vive acesa noite e dia
Mas, da sua claridade,
Todos voltam de alma fria."
...

Mal de Amor

"O doutor me falou que eu morro agora?
Não estou no seu dito acreditando.
Se dentro sinto o coração falhando,
Forte energia eu tenho aqui por fora.

Se o compasso no peito ele demora,
É porque está calado, recordando
O belo tempo em que viveu amando
E os lindos sonhos que já teve outrora.

Médico amigo, estas razões perdoe:
Muito enganado na receita foi;
O segredo não viu, senhor doutor.

Seu estudo, a ciência e seu diploma
Nunca podem saber nenhum sintoma
De um poeta que sofre mal de amor."








sábado, 26 de maio de 2007

Claude Monet


Claude Monet foi o pintor que realizou com maior perfeição o ideal impressionista. O próprio nome "impressionismo" deriva do título de um quadro seu, "Impressão, Sol Levante", pintado em 1872 durante uma visita ao Havre, a cidade-porto de sua infância.

Ali, Monet aprendera o gosto pela paisagem marítima, ali conhecera a liberdade dos grandes horizontes.
Geralmente considerado o maior nome da arte impressionista, Monet amava pintar ao ar livre: fez disso uma profissão de fé e o elemento central de sua enorme produção. Ninguém antes dele havia trabalhado assim de modo tão amplo e tão constante - o que, é claro, não excluía o estúdio para os retoques finais. Seu objetivo era o de captar as impressões passageiras da luminosidade e da atmosfera - "os efeitos mais fugazes", como dizia. Talvez por isso se torturasse, se obcecasse tanto, chegando a trabalhar várias telas ao mesmo tempo, sempre no encalço do impalpável: a luz fugidia, o instante único.
Indiferente às tendências dominantes de seu tempo, desenvolveu uma técnica absolutamente livre e espontânea, prosseguindo sempre nesse caminho, em direção ao desconhecido: "O tema é para mim coisa secundária. O que eu quero reproduzir é o que existe entre ele e mim". Por isso sua expressão nunca foi a da obviedade: seus personagens eram antes sugeridos que descritos, prevalecendo, isto sim, nessas paisagens (porque Monet pintou pouquíssimos retratos) as atmosferas, as impressões momentâneas e mesmo climas psicológicos. Monet estabelece, portanto, um paralelismo entre a realidade exterior e interior. E sua revolução foi, sobretudo, a de pintar um objeto como o via e não como o conhecia.

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O Boulevard des Capucines (1873) À direita, dois personagens observam o movimento do bulevar. Os transeuntes, indicados por rápidas pinceladas, receberam críticas dos
contemporâneos, que, habituados ao rigor acadêmico, não compreenderam nem apreciaram a imprecisão das linhas que, pela liberdade de concepção, nunca afirmam, apenas sugerem.

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(Observação pessoal: também acho lindo o detalhe do vendedor de balões vermelhinhos se destacando na paisagem!)


Depois de viajar muito em busca de temas, Monet fez de Giverny seu universo. E foi em seus jardins que se transformou no precursor da pintura contemporânea. Foi ali que seu gênio se expandiu sem limites. A partir de 1920, mais precisamente, as formas em Monet passaram a se apresentar cada vez mais diluídas, liquefeitas: com pincéis que se tornaram mágicos em suas mãos, ele apenas as sugeria, como que metaforicamente. E foi ainda mais longe: em seus últimos trabalhos, o "olho criador" passou a transfigurar a realidade como prodigiosa imaginação, abrindo as portas do Abstracionismo. Nesse momento, para ele, o objeto de sua pintura já não é a luz e a sombra mas própria pintura situada na luz e na sombra. E assim, no final de sua vida, Monet faria desaparecer o objeto do quadro. Suas telas se tornam mais volumosas, para culminar, enfim,, nas pinturas murais de paisagens aquáticas, onde a natureza se fixa em seus reflexos.
Embora também buscasse a objetividade, Monet jamais foi impessoal. Sua arte não consistia em apenas observar e registrar mas em encontrar o equivalente pictórico para as infinitas variações da luz, da atmosfera, dos climas psicológicos. E, como acontece em toda grande obra, há uma dimensão em seu trabalho que, afinal, escapa a qualquer análise ou explicação. Sua grande série de ninféias, em particular, é o produto não apenas de um olho excepcionalmente arguto e de um pincel preciso, mas também de um espírito dotado de poderosa imaginação e profunda poesia: ao lado de uma visão verdadeira, até então insuspeitada, sua arte contém uma interpretação poética muito pessoal da realidade.

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Ninféias

Monet pintou o lago das ninféias centenas de vezes: foi virtualmente sua única inspiração nos últimos vinte anos de sua vida. Concentrando-se mais e mais nessa pequena área, executou quadros cada vez maiores.
As ninféias, nesse quadro, dissolvem-se em meio aos reflexos e à mágica mistura de cores.
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O texto acima, de um profundo conhecedor, não é de minha autoria, amigos! (rsrsrs)
Fiz um resumo do que foi publicado na coleção "Os Grandes Artistas", volume dedicado a Degas, Toulouse-Lautrec e Monet, da Nova Cultural.
Tive o prazer de ver a exposição da obra de Monet que veio ao Brasil, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. Acho que foi em 1997 (guardei o ingresso, mas de tão bem guardado não sei agora onde está!)(rsrsrs). Foi tão impressionante - falar "impressionante" sobre o Impressionismo é meio redundante - mas foi assim mesmo, que acho que depois dali desenvolvi outra maneira de ver os nuances de cores e luzes da nossa natureza. Às vezes me sinto em um quadro impressionista quando vejo a folhagem da caatinga toda cheia de cores, do amarelo ao marrom e vermelho, antes de secar no verão! Ou os tons de verde novo, no começo do inverno!
Se tirar os óculos de míope então, fica tudo sem contorno, uma maravilha!! (rsrsrs)

quarta-feira, 23 de maio de 2007


...
Meu calendário é diverso
Não segue regras gerais

Sou feliz nos dias pares
Nos ímpares tenho solidão.

Se estás comigo o dia é par
Se vais um instante, ímpar é agora
Que não posso apartar-me de ti
Sem que de mim mesmo vá-me embora.

Dias há em que mesmo só
Contigo em meus sonhos,sou feliz
Dessa forma seguem-se dias pares
Contrariando a regra,que os desdiz.

Às vezes, cercado de gente estou só
Dias ímpares sucedem-se então
Sem ti, sem sonhos, suplico:
Senhor, quando os dias pares virão?

Meu calendário é diverso
Não segue regras gerais

Sou feliz nos dias pares
Nos ímpares tenho solidão.
...

Jango Veloso, maio 2007

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Rufus Wainwright


Rufus é um cantor norte americano que passou boa parte da infância no Canadá. No começo achei seu trabalho um pouco estranho, difícil, pois suas melodias e arranjos são bem particulares e diferentes do que estamos acostumados a ouvir. Depois de escutar algumas vezes é que fui aprendendo a descobrir sua sensibilidade, fui compreendendo os arranjos e conhecendo as letras das canções. Agora ele é um dos artistas pop que mais me tocam.
Ele já gravou bastante, tenho em casa quatro cds:
1 - Rufus Wainwright
2 - Poses
3 - Want One
4 - Want two

Este último, Want Two, é lindo!! A primeira faixa, "Agnus Dei", arrebatadora!!

A música "Hallelujah" (composição de Leonard Cohen), considerada uma das maiores composições da música canadense de todos os tempos, foi interpretada por Rufus e utilizada na trilha sonora de Shrek. No You Tube há uma versão ao vivo, gravada no Central Park em Nova Iorque,que gosto muito:
Hallelujah

Também vale a pena ver o site oficial, pena que só está em inglês:
Rufus Wainwright

I

Entre o que penso e o que faço
Perdem-se tantos sonhos...

Entre o que sinto e o que digo
Fica o não dito no meio...

Entre o que dizes e o que compreendo
Perde-se um pouco de ti...

Entre o que és e o que vejo
Há uma cortina rendada...

Jango Veloso, maio 2007

domingo, 20 de maio de 2007

Folhas Secas


Folhas secas guardam segredos da vida
E dão lugar, gentilmente,
Às folhas verdes que vêm, com força e vitalidade
Descobrir novos segredos

São assim nossas impressões
Quando as temos sobre um fato, uma vivência,
Já são folhas mortas - que guardam sua riqueza
Mas dão lugar ao encantamento

De ver brotar folhas verdes
De sentir sobre um mesmo fato,
A alegria de descobrir novos sentimentos

De uma vivência que parece a mesma,
Novas impressões que fazem da vida
Um eterno renascer !

Jango Nery Veloso