sábado, 26 de maio de 2007

Claude Monet


Claude Monet foi o pintor que realizou com maior perfeição o ideal impressionista. O próprio nome "impressionismo" deriva do título de um quadro seu, "Impressão, Sol Levante", pintado em 1872 durante uma visita ao Havre, a cidade-porto de sua infância.

Ali, Monet aprendera o gosto pela paisagem marítima, ali conhecera a liberdade dos grandes horizontes.
Geralmente considerado o maior nome da arte impressionista, Monet amava pintar ao ar livre: fez disso uma profissão de fé e o elemento central de sua enorme produção. Ninguém antes dele havia trabalhado assim de modo tão amplo e tão constante - o que, é claro, não excluía o estúdio para os retoques finais. Seu objetivo era o de captar as impressões passageiras da luminosidade e da atmosfera - "os efeitos mais fugazes", como dizia. Talvez por isso se torturasse, se obcecasse tanto, chegando a trabalhar várias telas ao mesmo tempo, sempre no encalço do impalpável: a luz fugidia, o instante único.
Indiferente às tendências dominantes de seu tempo, desenvolveu uma técnica absolutamente livre e espontânea, prosseguindo sempre nesse caminho, em direção ao desconhecido: "O tema é para mim coisa secundária. O que eu quero reproduzir é o que existe entre ele e mim". Por isso sua expressão nunca foi a da obviedade: seus personagens eram antes sugeridos que descritos, prevalecendo, isto sim, nessas paisagens (porque Monet pintou pouquíssimos retratos) as atmosferas, as impressões momentâneas e mesmo climas psicológicos. Monet estabelece, portanto, um paralelismo entre a realidade exterior e interior. E sua revolução foi, sobretudo, a de pintar um objeto como o via e não como o conhecia.

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O Boulevard des Capucines (1873) À direita, dois personagens observam o movimento do bulevar. Os transeuntes, indicados por rápidas pinceladas, receberam críticas dos
contemporâneos, que, habituados ao rigor acadêmico, não compreenderam nem apreciaram a imprecisão das linhas que, pela liberdade de concepção, nunca afirmam, apenas sugerem.

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(Observação pessoal: também acho lindo o detalhe do vendedor de balões vermelhinhos se destacando na paisagem!)


Depois de viajar muito em busca de temas, Monet fez de Giverny seu universo. E foi em seus jardins que se transformou no precursor da pintura contemporânea. Foi ali que seu gênio se expandiu sem limites. A partir de 1920, mais precisamente, as formas em Monet passaram a se apresentar cada vez mais diluídas, liquefeitas: com pincéis que se tornaram mágicos em suas mãos, ele apenas as sugeria, como que metaforicamente. E foi ainda mais longe: em seus últimos trabalhos, o "olho criador" passou a transfigurar a realidade como prodigiosa imaginação, abrindo as portas do Abstracionismo. Nesse momento, para ele, o objeto de sua pintura já não é a luz e a sombra mas própria pintura situada na luz e na sombra. E assim, no final de sua vida, Monet faria desaparecer o objeto do quadro. Suas telas se tornam mais volumosas, para culminar, enfim,, nas pinturas murais de paisagens aquáticas, onde a natureza se fixa em seus reflexos.
Embora também buscasse a objetividade, Monet jamais foi impessoal. Sua arte não consistia em apenas observar e registrar mas em encontrar o equivalente pictórico para as infinitas variações da luz, da atmosfera, dos climas psicológicos. E, como acontece em toda grande obra, há uma dimensão em seu trabalho que, afinal, escapa a qualquer análise ou explicação. Sua grande série de ninféias, em particular, é o produto não apenas de um olho excepcionalmente arguto e de um pincel preciso, mas também de um espírito dotado de poderosa imaginação e profunda poesia: ao lado de uma visão verdadeira, até então insuspeitada, sua arte contém uma interpretação poética muito pessoal da realidade.

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Ninféias

Monet pintou o lago das ninféias centenas de vezes: foi virtualmente sua única inspiração nos últimos vinte anos de sua vida. Concentrando-se mais e mais nessa pequena área, executou quadros cada vez maiores.
As ninféias, nesse quadro, dissolvem-se em meio aos reflexos e à mágica mistura de cores.
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O texto acima, de um profundo conhecedor, não é de minha autoria, amigos! (rsrsrs)
Fiz um resumo do que foi publicado na coleção "Os Grandes Artistas", volume dedicado a Degas, Toulouse-Lautrec e Monet, da Nova Cultural.
Tive o prazer de ver a exposição da obra de Monet que veio ao Brasil, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. Acho que foi em 1997 (guardei o ingresso, mas de tão bem guardado não sei agora onde está!)(rsrsrs). Foi tão impressionante - falar "impressionante" sobre o Impressionismo é meio redundante - mas foi assim mesmo, que acho que depois dali desenvolvi outra maneira de ver os nuances de cores e luzes da nossa natureza. Às vezes me sinto em um quadro impressionista quando vejo a folhagem da caatinga toda cheia de cores, do amarelo ao marrom e vermelho, antes de secar no verão! Ou os tons de verde novo, no começo do inverno!
Se tirar os óculos de míope então, fica tudo sem contorno, uma maravilha!! (rsrsrs)

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